Novo livro

Ele está chegando...
"A Batalha dos Deuses", a primeira antologia da Editora Novo Século estará disponível nas livrarias em dezembro.

A ideia desse livro é bem antiga, com os anos fui amadurecendo e resolvi chamar alguns autores de talento para participar do projeto. O resultado ficou excelente.

Para matar a curiosidade (ou aumentá-la ainda mais), deixo a apresentação do livro:

Fé.
Uma pequena palavra que carrega a mais poderosa energia do universo.
Mas até mesmo a fé pode ser moldada.
Imagine como seria a batalha entre o Deus Único e os diversos membros dos mais variados panteões.
É interessante notar a mudança das crenças durante os anos. O todo-poderoso deus do Sol Amon-Rá, um dos criadores do mundo no antigo Egito, hoje não passa de mera curiosidade arqueológica. Odin e Thor, deuses da mitologia nórdica, também foram relegados ao ostracismo. Os Anunnaki, grupo de divindades sumérias, não conseguiram acompanhar o passar dos séculos com a mesma força. E os grandes deuses gregos e romanos, como Zeus (Júpiter, para os romanos), Hades (Plutão) e Poseidon (Netuno), apesar de gozarem ainda de status literário e mitológico no Ocidente, não são levados mais a sério como divindades.
Esse, definitivamente, não é o caso de Javé. O deus bíblico criador do céu e da terra segundo o Gênesis continua reinando absoluto para mais de três bilhões de judeus, cristãos e muçulmanos (ainda que estes últimos o chamem de Alá). Mesmo que você seja ateu, Javé continua moldando boa parte de sua vida. Afinal, a imagem de um ser todo-poderoso, masculino, onipotente, pai, permeia a cultura, o comportamento e a ética ocidental.
Apesar de não saber ao certo o momento em que os homens passaram a cultuar deuses, a maioria dos arqueólogos e antropólogos concorda que esse é um traço comum de todas as civilizações. Eu diria que inventar deuses é uma coisa que os seres humanos sempre fizeram muito bem. E, quando uma ideia religiosa deixa de funcionar para eles, simplesmente a substituem.
As primeiras imagens de deuses esculpidas em pedras há mais de dez mil anos na Europa, no Oriente Médio e na Índia em nada se parecem, contudo, com o velho barbudo e musculoso dos afrescos que Michelangelo pintou na Renascença. São imagens de mulheres nuas, gordas, grávidas e de seios fartos que simbolizavam a fertilidade – algo natural numa época em que a agricultura era a base da economia e sobrevivência das famílias. Com o tempo, essa deusa mãe da fertilidade ganharia vários nomes dependendo da região em que era adorada e quase sempre dividia lugar com outros deuses.
Na Grécia antiga, uma espécie de matriz do mundo ocidental, mais de uma dezena de deuses eram cultuados pelos cidadãos. Nenhum deles, contudo, era tão poderoso, distante e sobrenatural como o deus da Bíblia. Para os gregos, os deuses não eram figuras imaculadas e perfeitas, mas apenas uma das “três raças” que habitavam o mundo, ao lado dos animais e dos homens. Eles eram espécies de super-homens com qualidades e defeitos bem semelhantes aos nossos. Com a diferença, é claro, de que eram imortais. Até mesmo a morada deles em nada se assemelha ao céu sobrenatural do deus bíblico. Para os gregos, ao menos doze desses deuses viviam no monte Olimpo, uma montanha de verdade localizada na Grécia, com quase três mil metros de altitude.
E, por estarem mais próximos dos homens, a relação dos gregos com os deuses era semelhante à relação de alguns católicos com seus santos de preferência. Cada um deles tinha um papel bem definido e as oferendas seguiam a lógica das promessas: em troca de ofertas ao seu deus predileto, os devotos esperavam que sua parte no pacto fosse cumprida. Quando isso não acontecia, era comum que os deuses fossem criticados abertamente – assim como um empregado critica seu patrão por não ter retribuído seu esforço.
Adotados pelos romanos com outros nomes, esses deuses da Grécia logo se tornaram parte do ritual cívico do novo império, que não parava de se expandir. Como os deuses não eram entidades imaculadas, era comum atribuir a alguns imperadores uma origem divina. Na prática, os rituais da administração pública costumavam se mesclar às cerimônias religiosas.
Quando os romanos conquistaram a região que hoje faz parte de Israel, no século 1 a.C., eles inicialmente não fizeram muito caso com o culto dos judeus a um deus único no Templo de Jerusalém. Naquele tempo, ninguém podia ainda imaginar que o deus dos judeus seria levado, quatro séculos depois, para o centro do maior império do Ocidente.
O fato é que, quando os romanos chegaram a Israel, o deus do Templo de Jerusalém parecia muito mais rigoroso e cheio de exigências que os deuses gregos. Mesmo para os romanos, que admiravam a tradição judaica pela consistência de suas escrituras, a conversão àquele deus era uma tarefa nada fácil. Como era necessário seguir uma série de regras, que iam da alimentação à circuncisão, poucos romanos eram atraídos para o judaísmo. Até que o advento da corrente judaica que defendia Jesus de Nazaré como o Messias tornou Javé popular muito além das fronteiras de Israel.
Quando, no ano 313, o imperador romano Constantino instruiu os governadores das províncias dominadas por Roma a dar completa tolerância aos cristãos, revogando todos os decretos anticristãos do passado, o cristianismo deu um passo decisivo para se tornar, em seguida, o credo oficial do império.
Com a expansão da nova fé, o deus “carrancudo” ganhou uma face completamente diferente, ao menos para os cristãos. De certa forma, a crucificação de Jesus foi vista como o momento em que Javé sentiu na pele o que é ser humano.
Está na natureza humana querer fundamentar uma origem para tudo.
Mas se engana aquele que acha que essa antologia irá tratar de evidências históricas. A proposta aqui é o entretenimento do leitor. Assim, muitas vezes optamos por “licenças poéticas” e preferimos usar o mito em vez da realidade. Ou, como dizia o diretor de cinema John Ford, “entre a lenda e o fato, publique-se a lenda”.

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2 comentários:

Amor em Vermelho disse...

Interessante este texto de seu novo livro. Desejo muito sucesso e sorte para você. Abraços da Tê.

Juliano Sasseron disse...

Fico contente por ter gostado. Espero que curta, também, o livro.

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